Uma patrulha de rotina no Parque Nacional do Bicuar resultou, esta semana, num avistamento significativo que reforça o optimismo sobre a recuperação da fauna em Angola. Fiscais ambientais em serviço avistaram um grupo de hienas malhadas (Crocuta crocuta), registo que, segundo o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), confirma a tendência de crescimento desta espécie na região.
Para os especialistas e gestores do parque, este avistamento não é um evento isolado, mas sim um indicador fundamental da recuperação da fauna selvagem angolana. O facto de a população de hienas estar a crescer demonstra que o ecossistema está a evoluir positivamente. Como predadores de topo e necrófagos, a sua presença próspera indica que a base da cadeia alimentar, composta por herbívoros — está igualmente saudável, validando o caminho seguido na gestão das áreas de conservação.
O registo foi possível graças ao trabalho contínuo das equipas que percorrem diariamente os 7.900 quilómetros quadrados do parque. Estas acções de patrulhamento são o pilar central da estratégia de conservação, focando-se em dois eixos principais: a monitorização da fauna selvagem, através da recolha de dados em tempo real para relatórios técnicos, e o combate à caça furtiva, com a protecção activa do habitat contra ameaças externas.
Muitas vezes mal interpretada, a hiena malhada desempenha um papel indispensável no equilíbrio ecológico. Ao contribuir para a eliminação de carcaças de outros animais, ela actua como um agente sanitário natural, prevenindo a propagação de patógenos que poderiam causar surtos de doenças na fauna local. A sua vitalidade é, portanto, uma garantia de saúde para todo o parque.
O bom momento da fauna selvagem no Parque Nacional do Bicuar não se resume às hienas. As equipas do INBAC recordam que o parque acolheu, recentemente, o repovoamento de 12 girafas- (Giraffa ), reintroduzidas a partir da Namíbia em parceria com a organização internacional Giraffe Conservation Foundation (GCF), no âmbito do recém-aprovado Plano Nacional de Conservação da Girafa para Angola (2026-2030). Os animais foram equipados com coleiras de rastreio por satélite, o que tem permitido às equipas técnicas acompanhar de perto a sua adaptação ao novo habitat.
Segundo os primeiros dados de monitorização, as girafas têm-se adaptado bem às condições do parque, fixando território e explorando as novas áreas de pastagem sem sinais de stress significativo um resultado que os técnicos consideram encorajador numa fase ainda inicial do processo de reintrodução. A espécie, classificada como ameaçada na Lista Vermelha de Angola, tinha desaparecido de grande parte do seu território histórico, caça furtiva e degradação de habitat, pelo que o seu regresso ao Bicuar é apontado como um marco na restauração da megafauna do parque.